Para ser grande, Sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis
segunda-feira, abril 06, 2009
Parabéns Maestro!

Se fosse vivo, Herbert von Karajan teria completado ontem, dia 5 de Abril, 101 anos. Adorado por muitos e odiado por outros, Karajan estabelece-se como uma das figuras mais importantes do panorama musical do século XX. Nascido em Salzburg em 1908, desde cedo revelou aptidões musicais extraordinárias, tendo dirigido pela primeira vez a Filarmónica de Viena com apenas 26 anos. Contudo, foi à frente da Filarmónica de Berlim, que dirigiu durante 35 anos, que maior sucesso e notoriedade alcançou. O seu porte austero, de líder, marcado por um extremo perfeccionismo, fizeram dele uma referência incontornável, um verdadeiro Mestre. Em 1933 torna-se membro do Partido Nazi, o que levou a que músicos como Arthur Rubinstein, Itzhak Perlman, Isaac Stern e Richard Thucker se recusassem a participar em concertos e gravações com Karajan. A própria Orquestra Filarmónica de Berlim só foi autorizada a apresentar-se em Israel após a sua morte.
Controvérsias à parte, o que é certo é que a orquestra de Karajan é única e o Mundo ficou com certeza mais pobre quando, em 1989, a sua batuta parou de mexer!
quarta-feira, abril 01, 2009
Dia das Mentiras

Sim, é verdade, hoje é o Dia das Mentiras! Decerto este será mais um dos 500 000 posts e notícias que já foram publicados acerca desta data, mas o motivo que me leva a falar deste dia prende-se simplesmente com o facto de não perceber porque motivo existe. Porque será que existe um dia dedicado à mentira, quando supostamente esse não é um valor de salutar? Não seria mais inteligente criar o Dia da Verdade, promovendo desta forma aquele que é um dos valores mais raros que existe actualmente? Na realidade, essa seria também uma forma de, pelo menos um dia por ano, tentarmos ser verdadeiros e colocar a hipocrisia de lado. De facto, penso que nos dias que correm passamos mais tempo a dizer e a viver em mentiras do que em verdades... Talvez fosse interessante fazer esta experiência!
João Botelho
Há dias, numa das minhas várias viagens de carro, ouvi na Antena 1 uma entrevista com o cineasta João Botelho. Confesso que não sou grande conhecedora do cinema português (conheço pouco mais que Manoel de Oliveira), mas fiquei curiosa em relação ao seu trabalho, devido essencialmente à filosofia que têm como base os seus filmes, segundo ele próprio explicava. Esta entrevista surgia a propósito do seu novo filme A Corte do Norte, baseado no romance homónimo de Agustina Bessa-Luís. Só este facto, por si só, despertou a minha atenção, pela iniciativa de divulgação da escritora portuguesa junto de públicos que, decerto, não a conheceriam de outra forma. Outra afirmação que achei curiosa foi o facto de Botelho considerar que nós, portugueses, dispomos de poucos recursos financeiros para a realização de filmes mas que não é por isso que os que fazemos não têm qualidade. Na realidade, estamos habituados a substimar o cinema português, a considerá-lo arcaico face à grande indústria cinematográfica americana, mas Botelho defende-se citando Manoel de Oliveira : "Se não temos dinheiro para filmar uma carruagem, filmamos uma roda. Tem é que ser muito bem filmada." De facto, se pensarmos bem, esta afirmação assenta na perfeição no perfil do povo português. Não temos dinheiro, mas detemo-nos nos detalhes, apreciamos os pormenores, o pôr-do-sol, uma flor, as pequenas coisas da vida... Penso que valerá a pena pensar nisto!
Já agora, aqui fica o trailer do filme A Corte do Norte:
Já agora, aqui fica o trailer do filme A Corte do Norte:
Em busca de uma vida melhor...

"Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade."
Arigo 1º da Declaração de Direitos Humanos
É notícia por estes dias a morte de cerca de 300 emigrantes (números ainda não confirmados) nas águas da Líbia, quando tentavam chegar à ilha italiana de Lampedusa. Infelizmente, esta é uma situação cada vez mais comum - cerca de 33 mil pessoas fizeram este trajecto em 2008 - e que por vezes, devido a barcos sobrelotados ou más condições atmosféricas, culmina em naufrágios e mortes. Esta situação é, de facto, preocupante e deve levar-nos a pensar que, apesar da crise com que nos debatemos, há pessoas que vivem numa situação bem pior e que, em busca de melhores condições, arriscam a sua própria vida nestas viagens sem qualquer tipo de segurança. A Europa continua a ser vista com o novo El Dorado, onde reside para muitos a única esperança de poder ter uma vida melhor. Contudo, nem todos têm a sorte de atracar em terras europeias, muitos ficam pelo caminho e com eles levam a esperança que os fez seguir esse longo trajecto.
E como se não bastasse, muitos deles são integrados em redes de imigração ilegal, explorados, agredidos, mal-tratados, já para não falar dos milhares de mulheres e crianças que são obrigadas a prostituir-se e a integrar redes de pornografia e tratadas como mera mercadoria. É caso para perguntar: estaremos nós, ocidentais, assim tão mal face a estas barbaridades? Onde estão os Direitos Humanos?
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