
O nosso país anda a ser subitamente invadido com uma epidemia de pseudo-escritores. Não é coisa recente, isto é, já dura há alguns anos, mas tende a agravar-se de forma drástica e, diria eu, já com contornos assustadoramente preocupantes. Esta epidemia provoca uma publicação imoderada de livros publicitados como grandes revelações e "best-sellers" e tem como principal sintoma a arrogância de qualquer um, principalmente se fôr figura conhecida (independentemente dos motivos que o levaram a tal) se poder auto-intitular de escritor. E os principais frutos desta grave (a meu ver!) epidemia, são livros desprovidos de qualquer conteúdo, que giram à volta dos clichés habituais dos dramas amorosos e/ou familiares, sem algo para acrescentar para além do ridículo em que se tornam.
Qualquer livro da Margarida Rebelo Pinto já me alertava para o início desta enfermidade, mas agora tenho a certeza que esta se consolida a um ritmo preocupante. E o que me realmente me deu esta certeza foi o entrar numa livraria e ver publicitado um livro do Cláudio Ramos, "Abraça-me" de seu nome. Eu já ficava boquiaberta quando via livros como "Amar-te depois de Amar-te" da Fátima Lopes que, segundo parece, já publicou para além deste mais duas outras obras primas. E chocada com a publicação dos livros do Zezé Camarinha e da Carolina Salgado. Mas isto foi mais do que um choque, foi um abalo do qual ainda não recompus. E depois temos os livros que saltam dos blogues, como o "A Pipoca Mais Doce", que, calculo, seja de grande interesse literário.
Enfim... Esta epidemia está no auge e o problema é que parece ter vindo para ficar, sem que se aviste uma possível vacina! Onde é que está o tempo em que os escritores eram só e somente isso, ou pelo menos em que a única actividade que acumulavam com esta era a de pensador ou filósofo? Onde está o tempo em que um livro era uma obra de arte inegável, ao invés de ser usado desta forma banal e sensacionalista, aproveitando-se e sustentando-se exclusivamente do fenómeno das massas?
Por favor, tirem-me disto!